sábado, 27 de janeiro de 2018

Manifesto Comunista

IMPRESSÕES SOBRE O LIVRO “MANISFESTO COMUNISTA” DE KARL MARX E FRIEDRICH ENGELS - 1848.


Um grande atrevimento! É o que considero a minha atitude, ao tentar discorrer sobre este importante documento histórico, que alicerçou os movimentos socialistas e comunistas e a formação de vários seguidores até nossos dias. É leitura obrigatória para todos os que se aventuram pelos caminhos da política, os que pretendem entender a dinâmica social do modelo capitalista/neoliberal. Concordando ou não com as idéias abertamente defendidas no livro. E acima de tudo para os estudiosos das Ciências Humanas.

Vale destacar que o fato de discorrer sobre o conteúdo do Manifesto não significa que este medíocre escritor concorde plenamente com a ideologia marxista. Como um cristão formado nas CEB’S (Comunidades Eclesiais de Base), concordo com muito do que os autores escreveram e em determinados trechos me dou o direito de não concordar. Principalmente no que diz respeito à visão cabal da religião como objeto de alienação e dominação do sistema capitalista. O cristão formado nas CEB’S pensa a religião sob a perspectiva contrária, ou seja, a mensagem de Jesus Cristo é libertadora e orienta para a  luta por uma sociedade mais justa e fraterna.

Feitas as ponderações, voltemos ao Manifesto.

O contexto social da Europa do século XIX foi marcado por uma grande transformação proporcionada pela Revolução Industrial, precedida pela Revolução Francesa, na qual aconteceu a ruptura com o a sociedade feudal/absolutista e a ascensão de uma nova classe dominante, a burguesia.
Os burgueses eram comerciantes endinheirados das pequenas e grandes cidades, subordinados politicamente aos nobres (aristocratas) e à Igreja, que, à época enquanto dona da verdade condenava a acumulação de fortunas, o lucro, excetuando-se claro, a nobreza e o clero. Apoiados pelas camadas menos favorecidas da pirâmide social da sociedade aristocrática (plebeus e servos), os burgueses derrubaram a monarquia feudal/absolutista, sob a luz do movimento Iluminista.
O novo modelo econômico/social apresentava-se como um sistema no qual o cidadão teria a liberdade para pensar e ascender socialmente. A origem não mais determinaria toda a vida da pessoa (servos, plebeus, nobres, etc.).

Os acontecimentos pós Revolução Francesa, as implicações sociais decorrentes, o surgimento do proletariado e suas lutas, foram motivadores para dois jovens pensadores e revolucionários, Karl Marx e Friedrich Engels, escreverem o Manifesto em 1848 por encomenda da Liga dos Justos ou Liga Comunista. A proposta dos autores foi dá embasamento teórico à luta da classe operária, num processo de formação intelectual e discussão de idéias, como premissas do desenvolvimento dos partidos oriundos da classe operária e em especial para o Partido Comunista.

O tema gerador do livro gira em torno da conscientização sobre uma verdade irrefutável: ao longo da história da humanidade, do desenvolvimento econômico e das sociedades, sempre existirá a luta de classes, em que uma terá relação de dominação sobre a outra. Ou seja, explorados e exploradores.

Na época em que o Manifesto foi escrito, a relação de domínio e exploração atingiu uma proporção tão alta que os autores afirmavam defenderam a revolução como única alternativa para a inversão dos papéis, ou seja, ao invés da burguesia dominar e explorar das mais diversas formas – principalmente pela exploração do trabalho, da objetivação e submissão do homem ao produto de seu próprio trabalho – o proletariado não só dominaria, mas eliminaria a burguesia. A partir daí, seria possível a construção de uma verdadeira democracia, onde não haveriam dominadores e dominados.

Por que foi intitulado Manifesto Comunista?

Alguém poderá pensar, Por que não intitulá-lo “Manifesto Socialista”?, a explicação é que o socialismo à época era considerado um movimento de classe média, enquanto o comunismo era genuinamente da classe trabalhadora. Enquanto o socialismo era bem visto, o comunismo era “demonizado”.

O comunismo estará sempre ao lado da classe operária, porque esta é a sua essência, a sua razão de existir. A luta da classe operária é maior que outras revoluções meramente políticas/nacionalistas, os objetivos destas são outros e não atendem plenamente os anseios da classe operária. Engels afirma: “Nossa idéia, desde o princípio, era que “a emancipação dos trabalhadores deve ser obra da própria classe trabalhadora”. Esse objetivo somente será alcançado pela queda da dominação burguesa.

O Manifesto não foi escrito como um livro a ser amplamente divulgado e assim tornar-se um doutrinador. Ele foi escrito para os comunistas, como embasamento teórico para as lutas do movimento operário.

O espectro comunista:

Na Europa do século XIX uma grande ameaça rondava as sociedades. Temido e odiado pela Igreja, políticos, industriais, enfim, pelos donos do capital. Procuravam a todo custo exorcizá-lo. Trata-se do fantasma do comunismo. Desde aqueles idos, a palavra comunismo tem sido associada a toda espécie de pejorativos e isto persiste até hoje.
Era e ainda é combatido por ser uma ameaça real ao sistema capitalista. E oriundo da classe trabalhadora, defensor das causas proletárias. Qualquer movimento que proporcione a emancipação dos operários, contrariando o sistema de exploração precisa ser eliminado. A boa notícia é que eles não conseguiram.

Marx e Engels afirmam categoricamente que “A história de toda sociedade existente até hoje tem sido a história das lutas de classes”. Sempre houve uma relação de exploração e oposição em todas as épocas: nobres e plebeus, senhores e escravos, opressores e oprimidos. Este antagonismo de classes sempre existiu e sempre existirá, de forma disfarçada ou aberta. O sistema burguês/capitalista só manteve a relação de exploradores e explorados, sob nova roupagem, sendo então denominados como capitalistas e trabalhadores. A diferença é que no sistema burguês, a luta de classes é flagrante e o debate ideológico é constante.

Os burgueses tinham dinheiro, mas não tinham nobreza, nem poder político, que estava num primeiro momento, sob o domínio dos senhores feudais, e posteriormente com os reis absolutistas. Sob as bênçãos da Igreja que, através de uma explicação teocêntrica, alicerçava o modelo feudal/absolutista. 
Destaca-se ai a condenação do lucro, o que obviamente contrariava o desejo da burguesia, desejosa pelo acúmulo de riquezas. Portanto era preciso livrar-se do obstáculo teocêntrico.

Sob a luz do iluminismo (redundância proposital) e com o apoio de plebeus e servos (iludidos), a burguesia desferiu um golpe fatal no sistema feudal/absolutista, a Revolução Francesa. Em nome da liberdade intelectual, religiosa, política e principalmente do desenvolvimento industrial/comercial. O comércio limitado, o artesanato, a simples atividade agrícola/pastoril cederam lugar às manufatoras e posteriormente às máquinas e o vapor. O mercado agora não era somente local, era global.

As relações feudais foram substituídas pelas relações de interesse. O homem teve sua dignidade vendida, ou seja, valeria o que e enquanto produzia. Ou seja, só mudou o tipo de exploração. Como os autores afirmam: “converteu o médico, o jurista, o padre, o poeta, o homem da ciência em trabalhadores assalariados”. A sociedade burguesa encontra sustentação na escassez. Sempre haverá mais trabalhadores do que vagas de trabalho. Como seu dinamismo depende de uma produção cada vez maior, o excesso causa as crises comerciais. A solução é a destruição de produtos, para que a escassez seja restabelecida e assim o produto seja valorizado. Outra solução encontrada é a conquista de novos mercados.

Outra característica do sistema capitalista é a objetivação do trabalhador. O trabalhador não possui o domínio sobre o produto e nem domina todo o processo de produção, sendo por ele submetido, tornando-se um mero realizador tarefas poucos complexas e ganhando um salário que só garante a sua sobrevivência. O salário ainda é usado para consumir produtos e assim dá lucro a outros capitalistas.

Como forma de afirmar-se enquanto classe dominante e afastar a ameaça da aristocracia e até mesmo de setores da burguesia em conflitos de interesses, os capitalistas  buscaram apoio na classe trabalhadora, incentivando-a à luta política e assim contribuindo para sua politização. Entretanto a legítima luta dos trabalhadores é contra a classe dominante, e esta luta é incessante, por ser a classe explorada neste modelo econômico/social.

Os pequenos burgueses, a classe média, em tese luta contra a burguesia, não por desejarem o fim do sistema capitalista. Mas como forma de afirmação enquanto classe média. Oscilam de acordo com a conveniência, mas no fundo são conservadores ou até mesmo reacionários ao defenderem o retorno ao sistema feudal/absolutista. São o que os autores chamam de “classe perigosa”, “a escória da sociedade”.

Coincidentemente vivemos algo parecido atualmente aqui no Brasil, já que independente da época e do desenvolvimento tecnológico e da informação, a essência podre da classe média é a mesma. Foi às ruas protestar, influenciando os desavisados e desinformados para também protestarem contra a corrupção, que seria originada apenas de um partido, numa cretinice e dissimulação que eu nunca havia presenciado. O pato amarelo é o ícone desse movimento, além do famigerado MBL e outros do gênero. Entre as suas armas, a informação distorcida na internet e o apoio da grande mídia. O desfecho foi o golpe parlamentar que derrubou um governo legitimamente eleito.

Voltando ao Manifesto, quero agora discorrer sobre os instrumentos de perpetuação da dominação burguesa.

Marx e Engels afirmam que o modelo de família burguesa nada tem haver com a família dos proletários, um abismo social as separa.  Esse formato familiar em que um provedor sustenta e tem autoridade sobre os seus é reforçador do modelo econômico. Ou seja, faz o trabalhador pensar na necessidade de que alguém tenha autoridade sobre ele e o sustente com a remuneração por seu trabalho, mesma que seja para uma sobrevivência miserável. A lei, a moral e a religião também contribuem para a perpetuação da dominação. Esta desigualdade transforma as famílias dos trabalhadores em meras reprodutoras de mão de obra.

O fato é que se faz necessária a verdadeira revolução proletária, que em primeiro lugar deverá extinguir a propriedade privada, é uma condição essencial. Em segundo lugar pela extinção das outras classes sociais e estruturas sociais que legitimam e perpetuam a sociedade burguesa.
Mas por que extinguir a sociedade burguesa? Ora, nas sociedades anteriores, mesmo as classes oprimidas tinham alguma possibilidade de melhoria de vida. Na sociedade capitalista, apesar de pregar-se a liberdade de pensamento e de escolhas, isso não existe. Com o progresso industrial, a tendência é aumentar ainda mais a exploração e piorar as condições de subsistência dos trabalhadores. Esta é a essência do capitalismo, a busca incessante pelo lucro à custa do empobrecimento da classe trabalhadora. Diante disso, esse modelo de sociedade deve deixar de existir.

Ao discorrer sobre a posição dos comunistas em relação aos proletários, os autores apontam algumas características fundamentais para diferenciá-los dos demais movimentos operários. Em primeiro lugar, as lutas não se restringem ao âmbito nacionalista, ou seja, os interesses da classe operária são os mesmos em todo o mundo. E este sempre será o interesse do movimento, os comunistas que atuam nos diversos partidos operários têm a consciência da consistência necessária para a luta, tendo como parâmetros os objetivos gerais do movimento operário.

Uma das principais bandeiras do movimento é a extinção da propriedade privada, que deverá tornar-se propriedade comum. Os críticos dizem que isso é uma usurpação das conquistas das pessoas. Diante disso, os autores perguntam: “Mas o trabalho assalariado cria propriedade para o trabalhador?” E afirmam: “De modo algum”. O trabalho, por ser explorado, só produzirá mais capital. É preciso entender isso, o capital só é produzido através da exploração do trabalho assalariado e se retroalimenta.

A propriedade privada, neste sentido, é uma força social de perpetuação da exploração. Mudar a essência desta força social, de privada para comum, fará com que toda a sociedade ganhe. Isto significará tirar os trabalhadores da miserável condição de apenas sobreviver para produzir riquezas para os capitalistas. Na prática, as grandes propriedades privadas impedem a imensa maioria da população de conquistar algo. Como conquistar bens se o que recebem mal dá para sobreviverem?
“O comunismo não priva ninguém do poder de apropriar-se dos produtos da sociedade; o que faz é privá-lo do poder de subjugar o trabalho alheio por meio dessa apropriação”. (p.41)

Os autores também tecem críticas ao modelo de educação da sociedade burguesa, em que as escolas são aparelhos de doutrinação do sistema. A luta de classes ultrapassa a fronteira destas verdades irretocáveis da sociedade burguesa, como o nacionalismo, a moral e a religião. Estas, aliás, somente contribuem para a manutenção do status quo. Esta luta é entre classe dominante e classe dominada.

Por isso o comunismo é tão combatido pela burguesia, a consistência dos argumentos, a perseverança na luta e as idéias foram forjadas sob o jugo da exploração e não simplesmente pelo mero discipulado a algum pensador. Se uma ideologia não propõe nada de novo, se apenas repete discursos anteriores sob uma nova roupagem, não é revolucionário. O comunismo propõe mudanças profundas na sociedade, por isso as chamadas verdades eternas como a religião e a moral são abolidas, pois são aparelhos de legitimação dos valores burgueses.

O fato e que a destruição do antagonismo de classes, ou seja, das desigualdades, representará a extinção das classes sociais. Todos serão iguais e desfrutarão do desenvolvimento econômico, do resultado do trabalho, não mais como instrumento de perpetuação da exploração, da produção de riquezas para a burguesia. Mas como instrumento de justiça social.

O capitalismo está ai, enraizou-se. Mesmo entre os comunistas existe a consciência de que uma verdadeira Revolução Proletária dificilmente se realizará, para não dizer impossível. Porém o manifesto não perdeu sua importância como referencial ideológico e objeto de estudo, principalmente no atual contexto, em que as redes sociais tornaram-se uma verdadeira enxurrada de achismos, turbilhão de sandices.

A quem é de esquerda, como eu, resta a luta por justiça social nesta realidade de exploração que persiste, é uma luta árdua, às vezes inglória. O que não podemos é desistir, não se calar e agir com inteligência estratégica.

Proletarier aller Länder, vereinigt euch!
"Trabalhadores do mundo, uni-vos!"


Por Carlos Antonio Fortuna de Carvalho
Acadêmico de Pedagogia – Universidade Federal de Goiás.
Escrito em 27/01/2018.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

PEDAGOGIA DA AUTONOMIA

IMPRESSÕES SOBRE O LIVRO “PEDAGOGIA DA AUTONOMIA”. PAULO FREIRE



No prefácio assinado por Edina Castro de Oliveira, ela nos aponta que o livro destaca como fundamentos da Pedagogia da Autonomia: a ética, o respeito a dignidade e a autonomia do educando. Aponta também que a convivência respeitosa deve levar os educandos a “se assumirem enquanto sujeitos  sócios-históricos-culturais (p.7). Sem abrir mão da competência e da rigorosidade metódica necessária ao bom desenvolvimento do processo de aprendizagem.

O educador progressista deve equilibrar o discurso com a prática pedagógica, rompendo paradigmas do tipo: " o professor é o único detentor do saber". Ao fomentar no ambiente da sala de aula os valores acima citados, criará condições para o amplo desenvolvimento das partes, ou seja, professor e aluno. Acontecerá ai um processo de humanização nas relações no ambiente escolar.

A esta nova forma de pensar o processo de ensino/aprendizagem dá-se o nome de Pedagogia da Autonomia, por romper com valores tradicionais até então presentes, em que a linha de trabalho baseia-se na transferência do conhecimento do professor para o aluno, de forma metodicamente engessada. O rompimento com esse modelo tem como base o reconhecimento do educando como sujeito individual, que consigo traz valores, concepções, carga cultural, etc.

A partir daí a metodologia  de ensino será fundamentada na troca de conhecimentos e não na simples transferência. Ou seja, haverá uma solidariedade pedagógica, que necessariamente terá como princípio o respeito aos diferentes pontos de vista. 

Todos se posicionarão, pois segundo o autor:

O erro na verdade não é ter um certo ponto de vista, mas absolutizá-lo e desconhecer que, mesmo do acerto de seu ponto de vista é possível que a razão ética nem sempre esteja com ele. (Freire 1996, p.9).

Com esses pressupostos, a construção do conhecimento será salutar e libertadora. Formando mutuamente educadores e educandos. Pois o autor insiste ainda na tese de que "na relação professor/aluno não há o detentor do saber e o que nada sabe. Todos sabem e todos aprendem, não existe ensinar sem aprender e nem aprender sem ensinar".

A Pedagogia tradicional oprime e reforça o conformismo, a dominação do sistema. Apesar disso, o educando pode e deve ir além, ao questionar regras, valores e paradigmas. Os educadores progressistas, contrapondo esse modelo, devem desenvolver uma metodologia  que instigue os educandos à busca do saber mais aguçado, que vai além da simples absorção do conhecimento, sendo sujeitos fundamentais no processo de aprendizagem.

Percebe-se, assim, a importância do papel do educador, o mérito da paz com que viva a certeza de que faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos mas também ensinar a pensar certo. (Freire 1996, p.14).

A educação será conscientizadora e consequentemente libertadora e transformadora, se junto aos saberes tradicionais venha a colocação sobre a realidade dos educandos. Nesse contexto, não há uma ruptura com o saber tradicional, mas uma superação que não os dissociam. É o despertar da curiosidade epistemológica fundamental, que faz parte do fenômeno vital. Que faz e refaz a história do desenvolvimento humano (Freire, 1996).

O autor afirma ainda que o diálogo entre o professor e o aluno começa pela percepção e abertura do primeiro para o segundo. A partir daí a visão sobre o educando será a de um sujeito ativo no processo educativo. Trazendo suas concepções e pontos de vista que somados às do educador e aos saberes tradicionais da grade escolar vão construir o processo de ensino/aprendizagem. A superação dos obstáculos ao diálogo passa portanto por esta predisposição ao novo, ao saber ouvir, à discussão franca e respeitosa.

Esta nova metodologia pedagógica supera a concepção bancária da educação, na qual o processo de ensino/aprendizagem pressupõe a mera transmissão do conhecimento, em que o educando é um sujeito passivo à doutrinação para servir ao sistema e a criatividade dos professores e alunos é podada. Esse modelo pedagógico deve ser superado, principalmente pela rebeldia das partes envolvidas, levando ao rompimento da opressão através do questionamento dos valores e regras. Mesmo dentro do processo tradicional as atitudes de rebeldia podem e devem ser fomentadas, na busca do saber que vai além da simples absorção de conhecimento teórico/técnico.

Professor e aluno, juntos enquanto sujeitos históricos devem construir uma prática independente e coerente. Freire chama isso de superação da curiosidade ingênua que faz parte do "fenômeno vital" do desenvolvimento humano. Há de se fomentar a curiosidade metódica , crítica, ética e transformadora. Que supera os valores caducos que tendem a dificultar a criticidade.

Entretanto é necessário que os saberes e as novas práticas  sejam aplicados concomitantemente ao testemunho do educador, pois só assim será estabelecida a comunicação, ou seja, a partilha do conhecimento. Como destaca Freire (p.16):

O professor que realmente ensina, quer dizer, que trabalha os conteúdos no quadro da rigorosidade do pensar certo, nega, como falsa, a fórmula farisaica do "faça o que mando e não o que faço".

A riqueza do livro reside na conscientização sobre o papel do educando como sujeito individual e independente no processo de ensino/aprendizagem e a importância do educador na construção de uma educação verdadeiramente libertadora, que nega a mera doutrinação. Porém esta conscientização deverá atingir toda a comunidade escolar.


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Vivendo no país dos golpistas!

terça-feira, 29 de março de 2016

Começo amanhã a cursar Pedagogia na Universidade Federal de Goiás.

Que Deus me abençoe e conduza nesta nova etapa.

Amém!

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Minha filha! minha vida! amor que vem de Deus!
Eu e minha esposa Roseni, parceria de vida!

As disputas na vida em comunidade

Prezado leitor, 

Após longo período de inatividade, resolvi, atrevido que sou, voltar a alimentar esse blog com meus pontos de vista. Longe de ser o dono da verdade, tenho a simples intenção de defender o que acredito.
Quero deixar bem claro que sou a favor do debate franco e respeitoso, em que a argumentação torne-se a melhor ferramenta de convencimento. 
Hoje vou dissertar sobre as disputas na vida em comunidade, nos ambientes corporativos, político e eclesial, especialmente nas paróquias, onde tenho atuado nos últimos quatro anos.
A busca do poder  é algo comum nos citados  locais de convivência humana. Com diversos objetivos finais. Alguns até inconscientes.
Nos ambientes empresariais, ocupar posições de destaque têm  motivações econômicas e/ou profissionais. Neste sentido, valores como honestidade, sinceridade, caráter, são facilmente descartados. Dando lugar a uma competição quase insana, onde passar por cima das pessoas como um rolo compressor é rotineiro.
A mesma regra vale principalmente  para o ramo da política. O jogo sujo é considerado até normal, muitas vezes institucionalizado. A mídia e a internet têm papel importante para construir ou desconstruir imagens. Valendo-se principalmente de pessoas desinformadas ou sem motivação para pesquisar fontes, aprofundar a pesquisa, etc. São o que podemos chamar de "inocentes úteis". De qualquer forma, a mídia é parcial, seja para partido "A" ou "B". Dependendo da circunstância faz o jogo duplo.
Já no ambiente paroquial algumas atitudes, com raras exceções, não têm motivação econômica ou profissional.
Entretanto, observa-se que existem sim lutas pelo poder, disfarçadas ou declaradas. Ocupar lugares de destaque durante os momentos celebrativos é o mais comum.
Cantores exigem que o volume de seus microfones sejam mais elevados, ministros que se auto escalam, não dando espaço para os demais. Existem também os famosos doutores em Igreja que questionam tudo, sendo os donos da razão.
Atitudes como essas contradizem o principal objetivo das religiões cristãs, onde humildade, paz, amor e fraternidade são pilares. Atrevo-me a imaginar Jesus lá na cruz olhando tudo e dizendo: "não entenderam nada"!
Penso porém, que Deus, em sua infinita misericórdia, e sabedor das nossas fraquezas humanas, perdoa as nossas falhas e nos acolhe como o Pai do filho pródigo. Que tenhamos a certeza que devemos valorizar o que não passa. Assim conseguiremos romper com a cultura da disputa que só nos afasta do objetivo único e final, a eternidade nos braços de Deus.
Pense nisso!